Introdução
Os meus camaradas pediram-me para registar o nosso percurso e este livro pretende, assim, descrever a nossa experiência, que deve ser vista como um exemplo de sacrifício e de amor à Pátria que pretendíamos e pretendemos edificar. Sem ninguém nos chamar, mostrámos a nossa total disponibilidade para a defesa da Pátria ameaçada, vestindo de novo a farda que já tínhamos despido. Cumprida a missão de que tínhamos sido incumbidos, às nossas casas e às nossas actividades regressámos, sem nada pedirmos.
Cumprimos.
E foi, para nós, o suficiente.
Com o tempo entretanto passado, as recordações esbatem-se, mas tornam mais nítida a entrega. A história de um País é feita, também, de exemplos e de memórias e deve recordar aqueles que tudo fizeram, incluindo alguns que deram a própria vida, para garantir a nossa independência e a liberdade hoje gozada. O passado volta ao presente e ajuda a perceber quem éramos e o que somos. Deu também para aprender que é nas privações e no perigo que se forjam grandes amizades que não distinguem origens sociais, instrução, credos ou raças.
E deu também para aprender a respeitar e a admirar os antigos inimigos.
Os meus camaradas, homens que admiro e com quem vivi estas aventuras, são dos melhores e aquilo que fizeram por Angola, pela nossa Pátria, é tão grande, bem maior do que aquilo que as pessoas possam entender. Como muitos outros fizeram. Por tudo o que passamos, sinto um imenso orgulho em ter sido o comandante destes heróicos combatentes e de ter servido com eles. Não podemos deixar de lembrar todos os camaradas que já não estão entre nós, em especial o Lino Pilartes, falecido em combate aquando da tomada do Soyo, e que já não podem ver, nem sentir, nem usufruir do que é hoje realidade pela qual eles, e outros também, tanto lutaram. pessoas dos seus que tivemos.
Como militares, um obrigado à IX Brigada , nas pessoas dos seus Comandantes, pelo apoio atempado que sempre nos deram aquando do avanço para Norte. Sem esse apoio não teríamos tido a sorte que protege os audazes nem o sucesso que tivemos.
Como angolanos, não sabemos como agradecer aos internacionalistas cubanos.
Sem eles, a nossa independência e a sua manutenção nos primeiros anos teria sido bem diferente, para pior.
Valeu a pena.
Bem-hajam!
Nelson Gaspar
Titulo
Companhia de Intervenção e Defesa Popular
Corvos ao imbondeiro
Autoria
Nelson Gaspar
Consultoria
Daniela Costa/Pedro Pina Nóbrega
Fotografias
Colecção particular de Nelson Gaspar
Paginação e composição gráfica
Pedro Costa
Certificado de Registo Intelectual
3444/SENADIAC MINCULTUR/2023
Depósito Legal
9080/2019
4ª Edição, Novembro de 2025-200 exemplares