O presente livro reúne depoimentos, textos de opinião,apontamentos, breves ensaios e um poema, todos eles sobre ou em homenagem a António Agostinho Neto. Na presente reedição, agora em livro, o produto inicial publicado em jornal mereceu alguns ajustes, desde a harmonização dos textos a um formato editorial uniforme, até à extensão de alguns textos, que ganharam novos conteúdos para os adequar aos desafios de uma obra com o selo da Academia Angolana de Letras.
Começando pela capa, com o título Letras sobre Agostinho Neto,
pretende-se estimular o sentido de esperança sobre este produto (de carácter cultural e científico) que brota e, hoje já maduro e fecundado, está pronto para alimentar uma vida nova, renovada e cultivada, em torno do patrono da Academia Angolana de Letras.
Também se juntou ao projecto o académico Virgílio Coelho, com um
texto que não consta no caderno publicado em 2022. Um texto que, pela sua pertinência na abordagem, equilibra os pilares da abordagem sobre Agostinho Neto.
Incluímos ainda aqui informações díspares sobre a figura e obras de
Neto, sempre perspectivando uma sociedade angolana mais culta, harmoniosa e solidária.
A direcção da Academia Angolana de Letras agradece o contributo
dos académicos António Fonseca, António Quino, Filipe Zau, Fragata
de Morais, Lopito Feijóo, Paulo de Carvalho, Pires Laranjeira, Carmen Tindó Secco, Roberto de Almeida e Virgílio Coelho. Agradece também a contribuição de Irene Neto (filha de Agostinho Neto), do poeta cabo-verdiano Corsino Fortes (in memoriam) e dos investigadores e críticos literários Abreu Paxe, Francisco Topa, Frederico Mussunda, João Papelo, Joaquim Martinho, José Bembo Manuel, Justo Muangunga e Manuel Muanza.
Boa leitura.
BIOGRAFIA DOS AUTORES
Paulo de Carvalho é Sociólogo, doutor em Sociologia pelo ISCTE–IUL (Lisboa, Portugal) e mestre em Sociologia pela Universidade de Varsóvia (Polónia). Professor catedrático na Universidade Agostinho Neto (Luanda, Angola), antigo reitor da Universidade Katyavala Bwila (Benguela, Angola) e antigo vice-presidente do Conselho da Universidade Pan-Africana (AddisAbeba, Etiópia). Foi editor da Revista Angolana de Sociologia.
As suas áreas de investigação incluem a estrutura social, exclusão
social, pobreza, ensino superior, criminalidade, democracia, cidadania, normas de consumo, relações étnicas e audiência de média
Dentre os seus 15 livros, destacam-se Exclusão social em Angola. O caso dos deficientes físicos de Luanda (Luanda, 2008), A campanha eleitoral de 2008 na imprensa de Luanda (Luanda, 2010) e Angola. Quanto Tempo Falta para Amanhã? Reflexões sobre as crises política, económica e social (Oeiras, 2002).
É membro fundador da Academia Angolana de Letras, exercendo a
função de presidente da Academia (mandato 2020-2024). É deputado à
Assembleia Nacional.
Residência: Luanda, Angola.
E-mail: paulodecarvalho@sociologist.com
Roberto de Almeida
Nacionalista, advogado, cientista social, contista, ficcionista, cronista, jornalista e poeta angolano, participou, activamente, da guerrilha para libertação nacional. Preso político diversas vezes, ficou encarcerado no período 1965-1968. Após a independência, em 1975, exerceu diversos cargos, tanto na estrutura do Governo como na do partido, nomeadamente diretor-geral das Relações Exteriores, ministro do Comércio Exterior e ministro do Planeamento; deputado à Assembleia Nacional. Em 1979, chefiou a primeira delegação oficial do Governo de Angola no Brasil. Como escritor, é membro fundador da União dos Escritores Angolanos, tendo presidido à sua Mesa da Assembleia-Geral entre 1986 e 1997.
Membro fundador da Academia Angolana de Letras (AAL), iniciou
a sua actividade jornalística fazendo parte da Comissão Redatorial de Angola na Revista, Órgão da Liga Nacional Africana que, suspenso no período da guerra colonial, retomou a sua publicação em Agosto de 1974.
Com o pseudónimo literário de Jofre Rocha, um dos nomes importantes
da “Geração de 70” angolana, os seus textos figuram em antologias e
publicações, tais como Angola, Poesia, 1971; Cancioneiro Angolano,
1972; Poesia Angolana de Revolta, 1975; No Reino de Caliban, Antologia
Panorâmica de Poesia Africana de Língua Portuguesa, 1976.
Participa em diversas antologias e colectâneas de autores angolanos.
O seu primeiro livro de poesias, Tempo de Cicio, é de 1973. O segundo foi uma colectânea de contos: Estórias de Musseque (Edições Lisboa,1976). Outros livros: Assim se Fez Madrugada (Ed. Asa, 1977), Estória de Kapangombe (UEA, 1978), Crónicas de Ontem e de Sempre (UEA,1985), Estória Completa UEA, 1985), 60 Canções de Amor e Luta (Ed. Asa,1988) e o livro de poesias Entre Sonho e Desvario (UEA, 1989).
Lopito Feijóo K.
Poeta e crítico literário, estudou Direito na Universidade Agostinho
Neto, em Luanda, e foi deputado à Assembleia Nacional da República e
Angola. Membro fundador da Academia Angolana de Letras, da Brigada
Jovem de Literatura de Luanda (BJLL) e do Colectivo de Trabalhos Literários Ohandanji, é membro da União de Escritores Angolanos (UEA), onde exerceu o cargo de secretário para Relações Internacionais e, actualmente, presidente da Mesa da Assembleia-Geral.
Foi também presidente da Sociedade Angolana do Direito do Autor
(SADIA) e director da Gazeta dos Autores. As suas obras contam com
publicações no Brasil, Portugal, Espanha, Estados Unidos, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Nigéria, etc. É membro da Academia Brasileira de Poesia, com o número correspondente 1154, da International Poetry dos EUA e da Maison Internacionale de la Poesie, sediada em Bruxelas, Bélgica. Está repertoriado na 10.ª edicao do International directory of distinguished leadership (2004-2005), do American Biographical Institute, bem como no Dicionário de Autores de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa (1997).
Em 2020, Lopito Feijóo recebeu o prémio Guerra Junqueiro no âmbito
da realizações do Festival Literário Guerra Junqueiro, atribuído em
parceria pela Editorial Novembro e pela Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, Portugal. Tem uma vasta obra, nomeadamente Brilho do Bronze (Haikais-2005); Na Idade de Cristo (poesia declamada em CD1997); África da Palavra (1995); Meditando (ensaio e crítica, 1994); Geração da Revolução (1993); Meditando, textos sobre literatura (1992);Cartas de Amor (UEA, poesia, 1990); No Caminho Doloroso das Coisas (Antologia de Jovens Poetas Angolanos, UEA, 1988); Doutrina (poesia,UEA,1987); Me Ditando (1987); Rosa Cor-de-Rosa (1987).
Fragata de Morais
Manuel Augusto Fragata de Morais, nascido no antigo Congo Português,
hoje Província do Uíge, Angola, a 16 de Novembro de 1941, fez os estudos em Angola, Portugal, França (Universidade Internacional do Teatro) e Holanda (Academia de Cinema Holandesa).
Deputado e embaixador de carreira (reformado em ambos), é antigo
combatente e veterano da Pátria, tendo ocupado vários cargos, como o
de director do Departamento da América Latina e Caribe do Ministério
das Relações Exteriores, director de Gabinete da Presidente do Conselho de Administração da Sonangol, director de Gabinete da Ministra dos Petróleos, conselheiro e secretário-geral da Conselho Nacional de Comunicação Social, presidente da Comissão Directiva da União dos Escritores Angolanos, vice-presidente da Mesa da Assembleia-Geral da União dos Escritores Angolanos e vice-ministro da Educação e Cultura.
É membro fundador da Academia Angolana de Letras, na qual foi
secretário-geral e vogal de Direcção. Colunista no Jornal de Angola, Fragata de Morais é autor de vários livros, nomeadamente Como Iam as Velhas Saber (Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD, 1982); A Seiva (INALD, 1985); Inkuna Minha Terra (União dos Escritores Angolanos – Menção Honrosa Prémio Sonangol de Literatura, 1996, e reedição pela Editora das Letras, 2015); Jindunguices (INALD – Prémio Literário Sagrada Esperança, 1999, e reedição pela Editora das Letras, 2015); Momento de Ilusão (Campo das Letras, Portugal, 2000); Momento de Ilusão (Chá de Caxinde, 2000); Amor de Perdição (Chá de Caxinde, 2003); Antologia Panorâmica de Textos Dramáticos (INALD, 2003); A Sonhar se Fez Verdade (INALD,2003); A Prece dos Mal-Amados (Campo das Letras, Portugal, 2005); A Prece dos Mal Amados (Chá de Caxinde, 2005); Sumaúma (União dos Escritores Angolanos, 2005); Memórias da Ilha (Nzila, 2006); O Fantástico na Prosa Angolana (Mayamba, 2010); Batuque Mukongo (União dos Escritores Angolanos, 2011); A Visita (Teatro – União dos Escritores Angolanos, 2014); Estórias para Bem Ouvir (Leya/Texto Editores, 2014); A Dança da Chuva (UEA – Menção Honrosa do Grande Prémio de Literatura dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa PALOP, 2015); O Senhor das Águas (Leya/Texto Editores, 2019); Um Canto ao meu Congo / N’Kunga kwa Kongo Dya Me, edição bilingue português-kikongo (Editora das Letras, 2019) e Os Ventos ao Sul,(Mayamba, 2020).
E-mail: fragatademorais@gmail.com
Irene Alexandra Neto
Presidente do Conselho de Administração da Fundação Dr. António
Agostinho Neto e ex-deputada à Assembleia Nacional de Angola, na qual presidiu à 7.ª Comissão de Saúde, Família, Juventude e Desportos, Antigos Combatentes e Acção Social; de 2005 a 2007, foi vice-ministra das Relações Exteriores da República de Angola para a Cooperação, sendo a primeira mulher angolana a exercer esse cargo. Com anterioridade, fez parte do Grupo Dinamizador do Ensino Superior, da Brigada Jovem de Literatura de Luanda e da Direcção da Alliance Française de Luanda.
Licenciada em Medicina e mestre em Oftalmologia, combinou o seu
compromisso social e político com a praxe médica, tendo trabalhado na área da saúde hospitalar de nível secundário e primário em Luanda e gerindo um consultório privado de oftalmologia desde 1999. É membro da Ordem os Médicos de Angola, da Ordem dos Médicos de Portugal, da Société Française d’Ophtalmologie e da American Society of Cataract and Refractive Surgery. Em 1998, publicou a obra Angola, à Flor da Pele (Luanda: Instituto Nacional do Livro e do Disco), tendo também contribuído com diversos textos para obras colectivas, entre as quais Estudos de literaturas africanas: cinco povos, cinco nações (Coimbra: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2005), Agostinho Neto e a libertação de Angola, 1949-1974 (Luanda: Fundação Agostinho Neto, 2011), Agostinho Neto: De Cabeça Levantada 1922-1961 (Luanda: Fundação Dr. António Agostinho Neto, 2015), Agostinho Neto, Todos para o Interior 1962-1971 (Luanda: Fundação Agostinho Neto, 2016), Cartas de Maria Eugénia a Agostinho Neto (Luanda: Fundação Agostinho Neto, 2016). Actualmente, coordena as publicações da Fundação Dr. António Agostinho Neto, onde se recolhem testemunhos para o Arquivo Oral sobre a luta de libertação nacional.
Carmen Lucia Tindó Secco
Professora emérita, titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ aposentada, recebeu, em 2023, o título de Professora Emérita de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, em 25 de Maio de 2023. Entretanto, continua a leccionar e a orientar teses e dissertações na pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É doutora em Letras pela Universidade.
Federal do Rio de Janeiro (1992). Realizou Estágio Pós-Doutoral na Universidade Federal Fluminense – UFF e na Universidade Politécnica de Moçambique (2009–2010). Implantou, em 1993, o Sector de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa. Foi chefe do Departamento de Letras Vernáculas/UFRJ, de 2003 a 2004. É membro da Cátedra Jorge de Sena para Estudos Literários Luso-Afro-Brasileiros.
É consultora da FAPERJ e da CAPES, pesquisadora B1 do CNPq
e cientista da FAPERJ. É editora fundadora da revista Mulemba, da
UFRJ. É membro correspondente da Academia Angolana de Letras
no Brasil. Integra a Comissão de Honra da Fundação Fernando Leite
Couto, em Moçambique. Tem publicações nas áreas de Literaturas
Africanas e Brasileira, entre as quais: Morte e prazer em João do Rio (Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976); Além da idade da razão (Rio de Janeiro: Graphia, 1994); Guia bibliográfico das literaturas africanas em bibliotecas do RJ (Rio: Faculdade Letras/UFRJ, 1996); Antologias do mar na poesia africana (Rio de Janeiro: Faculdade Letras/UFRJ, 1996, 1997, 1999. 3 v.). O volume 1 desta Antologia, dedicado a Angola, teve uma edição angolana, em Luanda, em 2000, pela Ed. Kilombelombe, com o apoio do Ministério da Cultura de Angola. Publicou também: A magia das letras africanas: ensaios escolhidos sobre as literaturas de Angola e Moçambique. São Paulo: Editora Kapulana, 2021 (terceira edição revista e ampliada; edições anteriores em 2003 e 2008); Entre fábulas e alegorias. Rio de Janeiro: Quartet, 2007; Como se o mar fosse mentira (em co-autoria com Rita Chaves e Tânia Macedo). Luanda:
Chá de Caxinde, 2006 (primeira edição em Moçambique, 2003). Em
2010, organizou o livro Brasil & África: Letras em laços II com Maria do Carmo Sepúlveda e Maria Teresa S. Guimarães da Silva. São Caetano do Sul: Ed. Yendis. Em 2013, organizou, com Maria Geralda de Miranda, o livro Paulina Chiziane: Vozes e rostos femininos de Moçambique (2013). Publicou ainda: Afeto & poesia. Rio de Janeiro: Oficina Raquel (2014); Pensando o cinema moçambicano (2018); Cinegrafias moçambicanas: memórias & crônicas & ensaios (2019), com Ana Mafalda Leite e Luís Carlos Patraquim; Cinegrafias angolanas: memórias e reflexões (2022),com Ana Paula Tavares, Ana Mafalda Leite e José Octávio Serra VanDúnem.
Francisco Topa
Francisco Topa (n. Porto, 1966) é professor associado com Agregação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e membro integrado do CITCEM. Lecciona nas áreas de Literatura e Cultura Brasileiras, Crítica Textual, Literaturas Africanas e Literaturas Orais e Marginais. É, desde 2019, o responsável pela Cátedra Agostinho Neto na FLUP e, desde 2023, director do Departamento de Estudos Portugueses e Românicos.
Foi professor visitante em diversas universidades brasileiras e também na Università Roma Tre (Itália) e na Universidade de Zagreb (Croácia). A sua investigação tem estado dirigida para as literaturas brasileira e portuguesa, para as literaturas africanas e para algumas áreas da literatura oral e marginal. Dentre os cerca de 260 trabalhos que publicou, 29 dos quais em livro, é possível destacar os seguintes volumes, todos de 2023: Mal-amados ou sequestrados? (Autores e textos brasileiros de seis e setecentos); “Nesta turbulenta terra” (Estudos de literatura angolana); África nossa, Áfricas deles (leituras de Marrocos, Cabo Verde e Moçambique); “Coisas que não levam a nada” (leituras portuguesas de
literatura brasileira).
Manuel Muanza
Manuel Muanza é professor associado colocado no Departamento de Língua Portuguesa (ISCED-Luanda). Doutorado em Literatura (Universidade de Évora, Portugal), mestre em Estudos Africanos (Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, Portugal), licenciado em Ensino da Língua Portuguesa (pelo ISCED-Luanda), é professor associado no Departamento de Língua Portuguesa do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) de Luanda. Investiga na área da Narrativa de ficção e realidade histórica. Publicou pela Mayamba, entre outros, Ainda o meu sonho (2002); Histórias curtas da vida de Agostinho Neto (2022); Mayombe — A saga dos guerrilheiros ou ficção narrativa da guerra (anti) colonial (2022); Como se lê o texto literário? (2011).
Residência: Luanda, cidade do Sequele.
E-mail: muanza_immanuel@yahoo.com.br
Frederico Caweie Mussunda
Frederico Caweie Mussumba nasceu em 1987, na Comuna da Funda, município de Cacuaco, província de Luanda, é professor de profissão, colocado na escola n.° 4019, liceu 24 de Junho-Cacuaco.
É membro em plena comunhão da Igreja Metodista Unida de Angola.
É líder associativo afecto ao Conselho Nacional da Juventude, CNJ,
tendo frequentado o curso médio de Formação de Professores, no Instituto Médio Normal de Educação 24 de Junho, em Cacuaco. Frequentou também o curso de Ciências da Computação, na Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto, e o Curso de Língua Portuguesa e Comunicação, na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Metodista de Angola.
Habilitado em Técnicas de oratórias, Supervisão de sistemas de
informação e comunicação, é mestrando em Comunicação Institucional
pela FUNIBER ANGOLA e candidato a mestre no Curso de Literaturas
em Língua Portuguesa, pela presente Faculdade.
Abreu Paxe
Poeta e docente no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), em Luanda, onde se licenciou na especialidade de Língua Portuguesa, e onde fez o mestrado na especialidade de Ensino de Literaturas em Língua Portuguesa. É membro da União dos Escritores Angolanos (UEA),tendo escolhido a poesia em detrimento da prosa, por considerar a poesia mais livre e mais aberta do que a prosa. Iniciou a sua carreira como escritor com aproximadamente 12 anos, quando participou num concurso literário que surgiu na escola. A sua participação teve como principal objectivo estimular e cultivar o gosto pela literatura nos seus colegas. Em 2000, venceu o concurso “Um Poema para África”, com o poema intitulado “Na ternura do cerco”, uma iniciativa do Ministério das Relações Exteriores, com o apoio da Rádio Nacional de Angola. Foi animador do Cacimbo do Poeta na sua 3ª. edição, actividade organizada pela Alliance Française, por ocasião do Dia da África. Figura na Revista Internacional
de Poesia Dimensão n.º 30, de 2000, na antologia dedicada à poesia contemporânea de Angola, editada em Uberaba, Brasil. Em 2001, foi capa na Revista Internacional de Poesia edição n.º 30, uma das mais prestigiadas revistas de difusão de poesia. Em Setembro, participou também na 22.ªBienal Internacional de Poesia em Liége-Reino da Bélgica. Ao longo da sua carreira poética, publicou inúmeros textos, sendo que em 2003 publicou a obra A Chave no Repouso da Porta uma compilação que reuniu 42 poemas. Abreu Paxe integra a antologia de poesia de World Poetry Tree, cujo e-book foi lançado na Dubai, Expo 2020. No Brasil, foi publicado nas revistas Dimensão (MG), Et Cetera (PR) e Comunità Italiana (RJ), Portugal, na antologia Os Rumos do Vento (Câmara Municipal de Fundão).
Das suas obras, destacam-se duas de poesia, nomeadamente, A chave no
repouso da porta (2003), que venceu o Prémio Literário António Jacinto, e O vento fede de luz, Luanda: União dos Escritores Angolanos, 2007.
A sua mais recente obra é um livro de ensaios, intitulado Migrações Fractais: Estudo sobre o provérbio na cultura em Angola (2023).
Joaquim Martinho
Docente e pesquisador filiado no Centro de Pesquisa em Letras — CEL,
da Universidade de Évora, Portugal, na Cátedra de Língua Portuguesa da Universidade Católica de Angola (UCAN) e no Centro de Estudos Populorum Progressio (Angola), actua na área dos Estudos Literários, Literatura Comparada e Educação.
Licenciado em Língua Portuguesa pelo ISCED de Luanda e mestre em
Ciências de Educação pela UNISAL, no Paraguai, é também mestre em
Literatura (Estudos Comparados de Literaturas em Língua Portuguesa)
pela USP, no Brasil.
João Papelo
Jornalista e gestor, João Papelo nasceu em Luanda. É licenciado em Ciências da Educação pelo Instituto Superior de Ciências da Educação deLuanda (ISCED), pós-graduado em Gestão de Pessoas pela Faculdade
de Ciência Sociais, e mestre em Linguística do Português pela Faculdade de Humanidades da Universidade Agostinho Neto. Fez formação de Jornalismo em Lisboa, Portugal. Colaborou em jornais e revistas, nomeadamente no Jornal de Angola, n' O País, no Folha 8, no Jornal Angolano de Artes e Letras, na revista LUX e nos extintos semanários Agora e Angolense. Actualmente, é colunista no Novo Jornal. Acumula experiência de mais de 18 anos dedicados ao sector de actividade bancária. Tem interesses em Linguística Aplicada ao Português (com ênfase nos processos de inovação lexical da Língua Portuguesa), comunicação multimédia, fotografia e publicidade.
É autor do ensaio A Liberdade nos Olhos (A estética da negação em
Sagrada Esperança e A Renúncia Impossível), publicado pela Mayamba,
e membro do Movimento Lev’Arte.
E-mail: joao.papelo@outlook.pt
António Quino
Crítico literário, antologista, cronista, contista, romancista e jornalista,é doutor em Ciências da Literatura pela Universidade do Minho (Braga,Portugal), e mestre em Ensino de Literaturas em Língua Portuguesa pela Universidade Agostinho Neto (Luanda, Angola). É docente no Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda e foi professor visitante na Università Roma Tre (Itália).
É membro fundador da Academia Angolana de Letras, exercendo a
função de secretário-geral, e membro da União dos Escritores Angolanos, onde exerce a função de secretário para Relações Internacionais.
É autor, dentre outros, dos livros Duas faces da esperança: Agostinho Neto e António Nobre num estudo comparado (Luanda, 2014); República do vírus (Lisboa, 2015), Herdeiros do pecado (Luanda, 2024) e António Agostinho Neto: O caminho das estrelas (Luanda, 2022). É organizador das antologias: Conversas de homens no conto angolano (Luanda, 2010) e Balada de homens que sonham (Lisboa,2011), obra que faz parte do Plano Nacional de Leitura em Portugal desde 2022. É também co-organizador da antologia Pássaros de asas que voam (Lisboa, 2015).
Residência: Luanda, Angola.
E-mail: antoquino@hotmail.com
António Fonseca
Licenciado em Economia pela Universidade Agostinho Neto, de Angola,
é diplomado em Estudos Superiores Especializados de Políticas Culturais e Acção Artística, pela Faculdade de Direito e Ciência Política da Universidade de Bourgogne. É funcionário superior do Ministério da Cultura, sendo actualmente PCA do Memorial António Agostinho Neto. Membro fundador da Academia Angolana de Letras, de que foi secretário-geral, é membro da União dos Escritores Angolanos e foi co-fundador da Brigada Jovem de Literatura.
Iniciou actividade jornalística em 1976, na Emissora Católica de
Angola, ingressando posteriormente na Rádio Nacional de Angola onde,
desde 1978, realiza e apresenta o programa ANTOLOGIA, dedicado
às questões da Tradição Oral. Publicou: Raízes (ContosTradicionais),
Instituto Nacional do Livro e do Disco, Luanda, 1982; Sobre os Kikongos de Angola ( Ensaio), União dos Escritores Angolanos e Edições 70, Luanda e Lisboa, 1985; Poemas de Raiz e Voz (Poesia), União dos Escritores
Angolanos, Luanda, 1985.
Pires Laranjeira
Professor e escritor português especializado em literaturas africanas, é doutorado em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra, onde foi professor associado da Faculdade de Letras, responsável pelas cadeiras de Literaturas Africanas, desde o ano lectivo 1980-81, e de Culturas Africanas. Leccionou também literatura brasileira, cultura brasileira e estudos culturais na Universidade de Salamanca. É membro do Centro de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letra da UC. Publicou centenas de textos científicos, culturais, jornalísticos e literários em mais de 130 jornais e revistas locais, regionais, nacionais e internacionais, desde 1965, além de conferências, cursos, congressos e publicações em dezenas de países, programas de rádio, vídeos na
TV, crítica jornalística, direcção de colecções, organização de colóquios, etc. Entre as suas publicações em livro, destacam-se: Antologia da poesia pré-angolana (1976); Literatura calibanesca (1987); De letra em riste.
Identidade, autonomia e outras questões na literatura de Angola, Cabo Verde, Moçambique e S. Tomé e Príncipe (1992); A negritude africana de língua portuguesa (1995); Literaturas africanas de expressão portuguesa (c/ I. Mata e Elsa R. dos Santos) (1995); Le monde lusophone (chapitre V): la littérature coloniale portugaise, in Jean Sévry (ed.), Regards sur les littératures coloniales. Afrique anglophone et lusophone, tomo III (1999); Negritude africana de língua portuguesa. Textos de apoio (1947-1963) (2000); Estudos afro-literários (2001; 2ª ed., 2005); Cinco povos, cinco nações. Estudos de literaturas africanas de língua portuguesa (c/ M.
J. Simões e Lola G. Xavier) (2007); Baltazar Lopes (1907-1989) e o Movimento da Claridade (2010) (c/ A. A. Lourenço e O. M. Silvestre); João-Maria Vilanova, Os contos de ukamba kimba (2013) (c/ Lola G. Xavier).
José Bembo Manuel
Mestre em Literaturas em Língua Portuguesa pela Faculdade de Humanidades da Universidade Agostinho Neto, graduado em Ensino da Língua Portuguesa pela Escola Superior Pedagógica do Bengo; revisor linguístico da ESP-Bengo Editora e da Revista Angolana de Extensão Universitária, é colunista do Jornal Cultural ROL e docente do Departamento de Ensino e de Investigação Científica de Letras Modernas, da Escola Superior Pedagógica do Bengo. Exerceu a função de director do Centro de Língua Portuguesa ECO7.
Além de prefácios, artigos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais, a sua produção científica inclui co-organização dos livros: Olhares Transdisciplinares sobre a Educação (2024) e o Manual de Auxílio às Famílias de Crianças com Necessidades Educativas Especiais (2018); e co-autoria dos Livros: Olhares Transdisciplinares sobre a Educação (2024), Linguagens — Múltiplos Olhares, múltiplos sentidos, Vol. 9 (2024), Crónicas de Arruaça no País das Maravilhas (2020).
E-mail: martinsbembo@gmail.com
Justo Valentino Muangunga
Justo Valentino Muangunga nasceu em 1991, na Caop-Velha, Cacuaco,
em Luanda. Pós-graduado em Relações Internacionais pela Universidade de Beira-Interior, Covilhã-Portugal; é licenciado em Ensino da História pela Escola Superior Pedagógica do Bengo com distinção. Assistente estagiário pela mesma instituição no Departamento de Ciências Sociais e da Natureza, lecciona, entre outras unidades, Introdução aos Estudos Históricos, História de Angola I e História de Angola II.
É autor dos livros: Fragmentos da História Angolana e da Presença
Portuguesa. Da Corrida a África à Luta de Libertação – 1875/1961.
Luanda: Kilunji Editora, 2024; Xé, Menino, Não Fales Política. Ensaio sobre os factos da realidade sociopolítica de Angola. Luanda: Edições do Autor, 2022. Tem textos publicados no Jornal de Angola, Jornal Angolano de Artes e Letras/Cultura, jornal O País e no jornal Fórum Covilhã.pt.
É expediente da Revista Angolana de Extensão Universitária
(portalpensador.com); participou como palestrante de mesa-redonda
da 3.ª Semana de Internacionalização da Universidade Estadual de
Mato Grosso do Sul, com o tema: “Percepção dos supervisores no
exterior de alunos e servidores UEMS” (www.youtobe.com/channel/
UCUKWvwJUFe4aBSs0Es1uQ2A). Entre 2020-2022 exerceu em comissão de serviço, o cargo de Chefe de Departamento de Cooperação e Intercâmbio Internacional da Escola Superior Pedagógica do Bengo.
É coordenador do movimento social Núcleo de Reflexão e Debate NUREDE OMUNDA.
Corsino Fortes
Escritor e político cabo-verdiano, licenciou-se em Direito, pela Universidade de Lisboa, tendo vivido na Casa dos Estudantes do Império. Integrou vários governos na república de Cabo Verde, país de que foi embaixador em Angola e em Portugal.
Poeta de mão-cheia, publicou os seus primeiros poemas em 1957, no
jornal do 3.º Ciclo Liceal. Em Angola, trabalhou como juiz do Tribunalde Benguela e Luanda, não permitiu que os papéis judiciais o afastassem da poesia, usando a escrita para lutar contra o domínio colonialista. Os seus poemas apareceram nos anos 1960 em algumas publicações, como a revista Claridade ou a antologia Modernos Poetas Caboverdianos. Mas só lançou o seu primeiro livro em 1974, Pão & Fonemas, que com Árvore & Tambor Editores em 1986 e Pedras de Sol & Substância (2001) formou A Cabeça Calva de Deus. A trilogia conta a saga do povo para a liberdade.
Membro fundador da Academia de Letras de Cabo Verde, presidiu à
Associação dos Escritores de Cabo Verde (2003-2006). As obras como Pão e Fonema ou Árvore e Tambor expressam uma nova consciência da
realidade cabo-verdiana e uma nova leitura da tradição cultural daquele arquipélago.
Corisno Fortes tem uma vasta obra literária, da qual destacamos
Pão & Fonema (1974); Árvore & Tombor (1986); Pedras de Sol &
Substância (2001); A cabeça calva de Deus (2001) (trilogia — Pão &
Fonema, Árvore & Tombor e Pedras de Sol & Substância). Os poemas “De
boca a barlavento” e “De boca concêntrica na roda do sol” encontram-se no CD Poesia de Cabo Verde e sete poemas de Sebastião da Gama, de Afonso Dias.
Virgílio Coelho
Antropólogo, diplomado pela École Pratique des Hautes Études (EPHE),
Universidade de Paris – Sorbonne (França). Concluiu o mestrado (DEA)
na especialidade de Antropologia comparada das Religiões de África, do Oriente e do Extremo Oriente.
É assessor principal do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente
(MCTA); e professor auxiliar do Departamento de Antropologia da
Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto. Dirige as Edições Mulemba, editora da mesma faculdade, sendo igualmente editor das seguintes revistas: Mulemba – Revista Angolana de Ciências Sociais, órgão científico da FCS; Maka – Revista de Literatura & Artes, órgão da União dos Escritores Angolanos; e de Ngola – Revista de Estudos Sociais, órgão da Associação de Antropólogos e Sociólogos de Angola (AASA), integrando os seus respectivos conselhos científicos e editoriais.
Em 2010, foi-lhe outorgado o Prémio Nacional de Cultura e Artes,
na especialidade de Ciências Humanas e Sociais, pelas obras Em
busca de Kábàsà!... Estudos e reflexões sobre o “Reino” do Ndòngò.
Contribuições para a História de Angola (Luanda, Kilombelombe, 2010)
e Os Túmúndòngò, os “génios” da natureza e o Kílàmbà. Estudos sobre a Sociedade e a Cultura Kímbùndù (Luanda, Kilombelombe, 2010).
Residência: Luanda, Angola.
E-mail: virgiliocoelho@hotmail.com
Filipe Zau
Pedagogo, escritor, compositor e intérprete, é doutor em Ciências da
Educação e mestre em Relações Interculturais pela Universidade Aberta de Lisboa. É ministro da Cultura, Turismo e Ambiente (desde Outubro de 2021) e embaixador da Boa Vontade da CPLP para a Língua Portuguesa (desde Julho de 2021).
Foi adido cultural na Embaixada de Angola em Portugal (1990/96),
conselheiro para os Assuntos de Educação, Cultura e Desporto na
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e consultor do
PNUD para a elaboração do Relatório de Angola.
Membro do Conselho da República (2021), foi também vice-reitor e
reitor da Universidade Independente de Angola (UNIA – 2010/2021),
professor convidado da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade
Agostinho Neto, presidente da Associação das Instituições de Ensino
Superior Privadas Angolanas (AIESPA) e vice-presidente da Academia
Angolana de Letras.
No campo musical, editou: LUANDA, Lua e Mulher (1996) e três
líteromusicais em parceria com Filipe Mukenga (1996, 2012 e 2021),
sendo o último um áudio-livro, intitulado Marítimos.
É autor, dentre outros, dos livros de poesia Encanto de um mar que eu canto (Lisboa, 1996), Meu canto à razão e à quimera das circunstâncias (Lisboa, 2005); e dos livros Angola. Trilhos para o desenvolvimento (Lisboa, 2002) e Marítimos Africanos e um clube com história (Lisboa, 2005).
Residência: Luanda, Angola
E-mail: fpzau@hotmail.com
Copyright: © Academia Angolana de Letras | Mayamba Editora, 2024
Colecção: Especial Centenário de Agostinho Neto, 1922-2023
Título: Letras sobre Agostinho Neto
Organização: António Quino | Paulo de Carvalho
Autores: Abreu Paxe | António Fonseca | António Quino | Carmen Tindó Secco | Corsino Fortes | Filipe Zau | Fragata de Morais | Francisco Topa | Frederico Mussunda | Irene Neto | João Pepelo |Joaquim Martinho | José Bembo Manuel | Justo Muangunga | Lopito Feijóo K. | Manuel Muanza| Paulo de Carvalho | Pires Laranjeira | Roberto de Almeida | Virgílio Coelho
Editor: Arlindo Isabel
Revisão: Mayamba Editora
Edição: Academia Angolana de Letras
Mayamba Editora, Rua da Liga Nacional Africana, n.º 13 — Distrito Urbano da Ingombota, Município de Luanda — Luanda, Angola
Telefone (+244) 931930264 | 927 648 964 | 911 564 614
E-mail: mayambaeditora@yahoo.com. Site: mayambaeditora.com
Design e capa: Carlos Roque
Impressão e acabamento: UNIMATER, LDA
1.ª edição: Luanda, Novembro de 2024
Tiragem: 1000 exemplares
Depósito legal: 13030 / 2024
ISBN: 978-989-761-522-1
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